Ensino em casa mostra que socialização das crianças não é um problema  

 

"Parece que a gente cria os meninos trancados". Assim Renata Correa, 33, define a sua reação quando ouve perguntas se a socialização não é um problema no homeschooling. "Já estou até ficando sem paciência", ela brinca. A empresária, que educa em casa seus três filhos, Bruno Júnior, 13, Felipe Correa, 11, e Isaque Correa, 3, garante que nunca imaginou ser um problema. "A gente tira a criança da escola. Mas existia mundo antes de ela ser inventada", diz.

 

Esse assunto é sempre tratado por críticos do ensino em casa como o principal ponto negativo do homeschooling. "A criança ensinada em casa não tem qualquer déficit de socialização em relação às outras. Pesquisas anuais nos Estados Unidos, onde o homeschooling já é fortemente estabelecido, provam isso", afirma o pedagogo Fabio Schebella, que pesquisa o tema há dez anos.

 

Para a mãe Karina Barber, 28, que atualmente mora nos Estados Unidos com sua filha, Isabella, 2, o Brasil é excessivamente preocupado com esse tema. "Visitamos o Brasil tempos atrás e ela era de se perder nos cantos. Fala com todo mundo, nunca vi alguém mais social do que ela", garante.

 

As crianças do homeschooling têm, inclusive, uma vantagem, que é a de estar em contato com outras de várias idades, e não só da sua. "Na escola, as crianças são separadas por região geográfica, classe social, idade. Elas se relacionam com o igual e não com o diferente. Já no homeschooling o contato será com vizinhos, pais, irmãos, e todas as pessoas que encontrar nos passeios externos", explica Schebella. 

 

É essa interação com o diferente que a mãe Emília Lourenço cita como ponto positivo do ensino em casa que está fazendo com sua filha Clarissa Milagres, 6. "Na escola, uma criança de seis vai se referir a uma de três como um bebê. No homeschooling, isso não vai acontecer. Ter três, seis, oito ou qualquer outra idade não é empecilho para que possam conversar e se relacionar. Ela não tem o preconceito de que não pode brincar com determinada criança só porque ela é mais nova ou mais velha", diz Emília.

 

Na primeira vez que teve ouviu falar sobre homescholing, a pedagoga Talita Scarcelli, 33, ficou bastante intrigada com a questão da socialização. Tratou como um paradigma a ser vencido. E recorreu à história para usá-la como argumento favorável. "É só pensar em uns séculos atrás, antes da democratização do ensino, como as crianças se socializavam? Era sempre numa comunidade, no meio de adultos e de gente mais velha", diz, referindo-se ao fato de que nem sempre em nossa sociedade as crianças estiveram agrupadas no atual formato de ensino.

 

Talita começou a refletir, então, o quão o modelo em voga não era o mais adequado para as suas necessidades e de suas filhas. "É bem artificial colocar um monte de criança numa mesma sala de aula para ficar o dia inteiro juntas. Eu não estou integrando elas na sociedade, que não é composta de pessoas da mesma idade", afirma.

 

A adolescente Valentina Dias, 15, pratica homeschooling há quatro anos. Ela não tem dificuldade nenhuma dificuldade em ter contato com outras crianças, e possui uma opinião bastante clara sobre o assunto. "Socialização não tem nada a ver com a escola, pois vemos adolescentes lá que não são sociáveis. Se não forem tomados os devidos cuidados, a criança não irá se socializa nem na escola nem no homeschooling".

 

 

 

 

 

 

 

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